I

as frases correm pela cabeça
como num grande balé em que
as pernas
perdem o controle
num ato de timidez
e correm
sem pra onde sem pra que
as coisas acontecem
e correm
meias espalhadas pela casa
cinzeiro cheio a diarista faltou
os gatos se escondem
o piano [teclas
insistentes onde toco nota
por
nota sem ser notada]
o vizinho reclama
do barulho de sofá arrastado e
vovó disse ter separado brincos
de perola para mim
vovó disse muito
sobre
o médico o mar o pai  
os brincos de perola que separou para mim

Trecho do poema A Vida na Hora, de Wislawa Szymborska.

via nome da cousa

sunshine-my:

Great caeiro, meu caeiro 

(via dissimulado)

a quem interessar possa,

na capa da #30 edição do plástico bolha 

tem poema meu

http://www.jornalplasticobolha.com.br

http://jornalplasticobolha.blogspot.com

hoje faz sol

teus olhos 

pedras cor de areia

que pesam sobre 

mim e 

despencam iguais a pianos

sobre o mar 

ácido acético (II)

vinagre desconhecido

enrola película,

e ainda tem vinagre suave.

película de nitrato é bomba

(em caso de incêndio,

morre.)

                                                               Rio, Cinemateca do MAM - XI. 2011

película (I)

até películas precisam de mãos

que as enrole de modo frouxo

para respirar.

                                                             Rio, Cinemateca do MAM - XI. 11

sobre não machucar

três quatro cinco palavras

vidro que não corta

respira fundo, 

chora